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Review de “Belonging”

Sat, Dec 5, 2009

Críticas

Episódio 4: Belonging
Escrito por Maurissa Tancharoen & Jed Whedon
Realizado por Jonathan Frakes
Actores convidados: Vincent Ventresca, Keith Carradine.

O quarto episódio da segunda temporada de Dollhouse diferencia-se dos anteriores por uma simples razão: qualidade. É excelente. Se os outros (principalmente o segundo) até tinham boas ideias, mas não as conseguiram implementar da melhor maneira, ficando aquém do esperado, este Belonging ultrapassada as nossas expectativas e mostra-se o episódio de Dollhouse mais emotivo até à data.

A história anda toda em volta de Sierra (Dichen Lachman), como ela chegou à Dollhouse, como conheceu o homem que a pôs lá, como perdeu a sua liberdade e, no fim, como confronta Nolan (participação de Vincent Ventresca), embora não tenha acabado da melhor maneira. Para o sucesso deste enredo contou muito a fabulosa interpretação de Dichen Lachman que esteve simplesmente brilhante.

Mulher: I don’t think I have reason to live if I can’t have one of your paintings for myself.
Prya: Wow, you must have a really boring life.

Belonging não podia ter um título melhor, visto que até isso nos faz pensar. Afinal Sierra pertencia a quem? A Nolan? Ele queria-a para ele, mas nunca o conseguiu. À Dollhouse? Chegou a altura e tiveram que abdicar dela. A conclusão a que cheguei foi que Sierra pertencia a todos menos a ela própria.

Dou os meus parabéns aos argumentistas porque, não só o diálogo foi muito fluído e interessante, como a estrutura do episódio foi exemplar, manipulando a perspectiva do espectador em todos os acontecimentos. A realização de Jonathan Frakes, que fez um trabalho impressionante, deu-nos alguns dos melhores planos que já vimos na série: o cenário inicial da praia, os planos de Sierra, Topher e Boyd a prepararem o enterro de Nolan, o plano das inscrições de Echo na sua câmara mas principalmente o plano de Sierra a contrastar com o quadro mesmo a seguir à morte de Nolan.

Este episódio realmente colmatou muitas das falhas que a série costuma ter. A principal, na minha opinião, foi a emotividade que o episódio teve, transpirando empatia, raiva, incredulidade, pena, indignação por todos os lados. Dollhouse nunca fez sentir tanto, mesmo nos seus melhores episódios. Sempre teve aquele sentimento de não estarmos bem a clicar com os personagens. Isto certamente não acontece aqui, com Sierra a levar-nos numa montanha russa de sentimentos.

[Echo aparece inesperadamente atrás de Topher, assustando-o.]
Topher: Oh… You got to stop doing that or I’ll make you wear a bell.

Mas nem tudo foi Sierra. Topher (Fran Kranz) também teve a oportunidade de brilhar. Também gostei imenso da interpretação de Fran Kranz que, tal como em Vows, mostra que a sua personagem é muito mais interessante quando não é usada somente como comic relief. Não que eu não tenha aprendido a gostar das piadas de Topher, ou que elas não tenham melhorado durante a série, mas a personagem pode ser muito mais que isso como se pode ver neste episódio.

Victor (Enver Gjokaj), Boyd (Harry Lennix) e Adelle (Olivia Williams) também tiveram os seus momentos. Gostei imenso de ver o lado badass de Boyd, fiquei curioso em relação ao que é que a Adelle fez para o Mr. Harding (participação de Keith Carradine) lhe dizer “Victor’s the least of your indiscretions. I think we both know that.” e usar isso como chantagem, e vimos um pouco do trauma de Victor levando a crer que ele se virou para a Dollhouse porque não conseguia viver com aquilo que fez. Será que isto significa um episódio de Victor num futuro próximo? Esperemos que sim. O Ever Gjokai já o merecia.

O enredo secundário pertenceu a Echo e à evolução que ela está a ter no seu estado Active desde Omega. Ela está a ler, faz inscrições na sua câmara, parece ter alguma espécie de plano e o seu objectivo é que todos os Actives “acordem”. Mas, mais que isso, estou bastante interessado no que é a Storm que ela tanto falava.

Boyd: You know how to dissect a body.
Topher: That was in school. And why do you?

Como já disse, adorei Belonging e certamente acho que foi dos melhores episódios que Dollhouse nos deu, mas… houve algumas inconsistências algo inadmissíveis. Então o Topher é todo contra colocar alguém na Dollhouse contra a sua vontade, mas se essa pessoa for esquizofrénica então tudo bem?!? Ainda por cima manda a Priya sozinha para confrontar o Nolan? Não lhe podia, pelo menos, ter ensinado karaté? O que é que ele pensava que ia acontecer? Que ele a deixava sair pela porta da frente ou que se iam reconciliar e começar aos beijinhos e amassos? E porque raio é que no fim a Priya volta para a Dollhouse? O Boyd e o Topher não podiam simplesmente manda-la para o mesmo sítio que o Nolan foi? Não teria muito mais lógica que ele fosse com ela? Foi ela que quis (duvido porque ela só teve a ideia de não se lembrar do que fez quando já estava na Dollhouse) ou o quê? São estas coisas que contaminam um episódio que fora isso foi perfeito.

Concluindo, Belonging é indiscutivelmente o melhor episódio dos quatro que já vimos esta temporada e está exactamente dentro daquilo que queremos ver Dollhouse fazer. Muito bem estruturado, escrito, realizado e interpretado, tocando em aspectos fulcrais do que uma série como esta deve falar e com mais emoção do que alguma vez vimos nesta série. Não espero nada menos vindo dos próximos episódios que vêem por aí.

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This post was written by:

Ricardo Leal - who has written 33 posts on Dollhouse PT.


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1 Comment »

Comment by Cláudia
2009-12-07 12:53:31

Foi mesmo excelente e mostrou o que esta série é capaz. Desde o princípio que adoro esta série mas este episódio mostrou ainda mais qualidades.

 
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